Prótese de silicone levanta a mama caída? Entenda quando somente o implante não é suficiente

A prótese pode aumentar o volume e melhorar a projeção das mamas, mas nem sempre corrige a flacidez. O cirurgião plástico Dr. Manoel Bizerra explica quando podem ser consideradas a prótese, a mastopexia com implante ou a mastopexia sem silicone.
Depois da gravidez, da amamentação, de uma perda de peso ou com o passar dos anos, é comum perceber mudanças no volume, na posição e no formato das mamas. Surge então uma dúvida: colocar prótese de silicone é suficiente para levantá-las?
A resposta depende tanto da anatomia quanto do resultado desejado pela paciente. O Dr. Manoel Bizerra, cirurgião plástico, CRM/SP 98377 e RQE 81819, explica que a consulta começa com uma conversa sobre o que ela espera da cirurgia.
“Primeiro, procuro entender o que a paciente considera bonito e o que deseja para as próprias mamas. Algumas preferem um colo mais marcado e uma clivagem mais definida; outras querem uma transição mais suave e natural na parte superior. Fotografias podem ajudar nessa conversa, desde que fique claro que o resultado de outra pessoa não pode ser reproduzido”, explica.
Depois de ouvir a paciente, o cirurgião avalia se a principal questão é a perda de volume, o excesso de pele, a posição da aréola e do mamilo ou uma combinação desses fatores. Com essas informações, pode propor um planejamento individualizado.
Prótese de silicone realmente levanta as mamas?
A prótese de silicone é utilizada principalmente para aumentar ou recuperar o volume, melhorar a projeção e contribuir para o equilíbrio entre as mamas e o restante do corpo.
Em pacientes que possuem pouca flacidez e uma posição adequada da aréola e do mamilo, o preenchimento proporcionado pelo implante pode produzir uma aparência mais firme. Isso, no entanto, não significa que a prótese tenha realizado um levantamento verdadeiro das mamas.
Quando existe excesso de pele ou queda mais acentuada, aumentar o volume sem tratar a flacidez pode não produzir o resultado esperado. Em alguns casos, o peso adicional do implante ainda precisa ser cuidadosamente avaliado, pois a qualidade da pele e a capacidade de sustentação dos tecidos variam entre as pacientes.
Por isso, a escolha não deve começar pelo tamanho da prótese, mas pela análise da anatomia da mama.
Além disso, existem técnicas avançadas de posicionamento do implante, como a dual plane, em que parte da prótese fica sob o músculo peitoral. Essa técnica pode contribuir para estabilizar o implante na posição planejada e tornar o resultado mais previsível ao longo do tempo, conforme as características de cada paciente.
Qual é a diferença entre perda de volume e flacidez?
A perda de volume costuma ser percebida quando a mama parece menor ou menos preenchida, principalmente em sua parte superior. Isso pode acontecer após a amamentação, o emagrecimento ou alterações hormonais.
Já a flacidez mamária, chamada tecnicamente de ptose, envolve mudanças na posição e no formato das mamas. Podem existir excesso de pele, deslocamento da aréola e do mamilo e maior concentração do tecido mamário na porção inferior.
Gravidez, amamentação, oscilações de peso, envelhecimento, ação da gravidade, características genéticas e qualidade da pele podem contribuir para essas mudanças. A mastopexia é justamente a cirurgia destinada a elevar e remodelar as mamas por meio da retirada do excesso de pele e da reorganização dos tecidos.
Essas duas situações podem surgir separadamente ou ao mesmo tempo. Uma mulher pode apresentar perda de volume com pouca flacidez, enquanto outra pode possuir volume suficiente, mas se incomodar com a posição das mamas.
Como saber se existe indicação de mastopexia?
Não existe um teste feito em casa que determine qual cirurgia deve ser realizada. Na consulta, o cirurgião plástico considera, entre outros aspectos:
- a posição da aréola e do mamilo;
- a quantidade e a qualidade da pele;
- o volume de tecido mamário;
- a presença de assimetrias;
- a largura e o formato do tórax;
- o histórico de gravidez e amamentação;
- as variações recentes de peso;
- os objetivos e as expectativas da paciente.
A posição do mamilo em relação ao sulco abaixo da mama é um dos elementos observados, mas não define sozinha a indicação. A decisão depende da avaliação completa.
Quando somente a prótese pode ser considerada?
A mamoplastia de aumento pode ser considerada quando a principal queixa é a falta de volume e a anatomia permite atender ao objetivo da paciente sem retirar excesso de pele.
Segundo o Dr. Manoel, o planejamento começa pelas características do corpo: formato do tórax, largura da base das mamas, posição do mamilo e do sulco mamário, formato e implantação das mamas, além da quantidade de tecido mamário existente. O resultado desejado pela paciente também entra nessa análise.
Só depois são definidos o tipo e as dimensões do implante, incluindo o volume em mililitros. Escolher antecipadamente uma prótese pelo número de mililitros não contempla todos os fatores necessários para o planejamento.
Na PinkMed, a paciente pode conhecer procedimentos e casos publicados por médicos. As imagens ajudam a compreender possibilidades, mas não representam uma promessa de resultado individual.
Quando a mastopexia com prótese pode ser considerada?
A mastopexia com prótese associa duas propostas: retirar o excesso de pele e reposicionar a mama, ao mesmo tempo que o implante acrescenta ou recupera volume.
Ela pode ser avaliada, por exemplo, quando a paciente apresenta flacidez e também deseja maior preenchimento, especialmente na parte superior das mamas. Essa combinação pode ser procurada por mulheres que perceberam perda de volume depois da gestação, da amamentação ou do emagrecimento.
O implante, entretanto, não substitui a retirada de pele quando ela é necessária. Também não é o único responsável pela sustentação da mama. O resultado depende do planejamento cirúrgico, da reorganização dos tecidos e das características individuais da paciente.
É possível conhecer casos de mastopexia com prótese realizado pelo Dr. Manoel Bizerra. Antes e depois devem ser analisados como exemplos do trabalho do profissional, sem expectativa de que outra paciente obtenha resultado igual.
É possível levantar as mamas sem colocar silicone?
Sim. A mastopexia sem prótese pode ser considerada quando existe flacidez, mas a paciente possui tecido mamário suficiente ou não deseja aumentar o volume com implantes.
Nessa cirurgia, o próprio tecido da mama é remodelado e reposicionado. Também pode ser necessária a retirada do excesso de pele e a mudança de posição da aréola e do mamilo.
A mastopexia sem prótese não produz exatamente o mesmo tipo de preenchimento proporcionado por um implante. Por isso, a paciente precisa conversar com o cirurgião sobre o volume existente, o formato possível e suas expectativas em relação ao colo e à projeção das mamas.
Uma possibilidade que o Dr. Manoel Bizerra apresenta às pacientes é o uso de uma tela absorvível para dar suporte ao tecido mamário remodelado. Ela funciona como uma estrutura interna de sustentação, às vezes chamada de “sutiã interno”. O objetivo é ajudar a manter o tecido na posição planejada durante a cirurgia.
Segundo o cirurgião, esse suporte pode ser especialmente interessante porque o formato das mamas muda nos meses seguintes à mastopexia. Sem um implante, parte das pacientes percebe uma redução do preenchimento na região superior, o chamado colo da mama. A tela busca dar mais estabilidade à remodelação e tornar essa evolução mais previsível. Estudos apontam um possível benefício na manutenção do formato, mas a tela não impede todas as mudanças naturais ao longo do tempo.
A tela também não aumenta o volume da mama como uma prótese. O Dr. Manoel explica que, em algumas pacientes, a remodelação do tecido existente com suporte interno pode proporcionar um formato próximo ao que elas desejavam ao considerar um implante pequeno. Isso depende da quantidade de tecido mamário e não significa que os dois procedimentos produzam o mesmo resultado.
Não existe uma técnica universalmente melhor. A escolha entre usar ou não a tela deve considerar a anatomia, os objetivos, os custos e os riscos envolvidos em cada alternativa.
Toda mastopexia deixa cicatriz?
Para retirar pele e reposicionar a mama, são necessárias incisões. O formato e a extensão das cicatrizes variam conforme a anatomia, o grau de flacidez, o volume mamário e a técnica indicada. Entre as possibilidades estão:
- cicatriz ao redor da aréola;
- cicatriz ao redor da aréola e vertical até o sulco mamário;
- cicatriz em L, que inclui um segmento no sulco mamário;
- cicatriz em T invertido, com um segmento mais extenso ao longo do sulco.
O Dr. Manoel explica que utiliza a cicatriz em L em grande parte das mastopexias e mamoplastias redutoras que realiza. Nessa abordagem, o segmento horizontal pode ser planejado de modo a preservar a região medial do colo da mama de uma cicatriz. Para mamas muito volumosas, entretanto, a cicatriz em T invertido pode ser mais adequada.
A possibilidade de fazer uma cicatriz menor não deve ser analisada isoladamente. O planejamento precisa permitir o tratamento do excesso de pele e a remodelação necessária. A aparência final da cicatriz também varia entre as pacientes e depende de fatores como características da pele, cicatrização e cuidados após a cirurgia.
A prótese evita que as mamas voltem a cair?
Não. A prótese não impede a ação do tempo, da gravidade e das mudanças naturais do corpo. Novas gestações, amamentação, oscilações de peso, envelhecimento e características da pele podem modificar novamente a posição e o formato das mamas.
Além disso, os implantes não são dispositivos considerados vitalícios. Eles precisam de acompanhamento médico ao longo dos anos e podem exigir novos exames ou outra cirurgia caso surjam alterações, sintomas ou complicações. A FDA orienta que as pacientes conheçam os benefícios, as limitações e os riscos associados aos implantes antes da decisão.
Por esse motivo, a paciente deve receber informações sobre o procedimento imediato e sobre o acompanhamento necessário no longo prazo.
Quais riscos devem ser discutidos antes da cirurgia?
Toda cirurgia possui riscos. Nas cirurgias mamárias, eles podem incluir sangramento, hematoma, seroma, infecção, alterações de sensibilidade, assimetrias, abertura de pontos, cicatrizes desfavoráveis e necessidade de uma nova intervenção.
Quando são utilizados implantes, também devem ser discutidas possíveis complicações relacionadas à prótese, como contratura capsular, deslocamento, ruptura e alterações na cápsula formada ao seu redor.
A mastopexia pode envolver ainda alterações na vascularização da pele, da aréola ou do mamilo, além de possíveis repercussões sobre a capacidade de amamentar. A ocorrência e a intensidade desses riscos variam conforme a técnica e as condições clínicas de cada paciente.
A decisão deve acontecer somente depois de uma conversa clara sobre benefícios, limitações, cicatrizes, recuperação, acompanhamento e possíveis complicações.
O antes e depois ajuda na decisão?
As fotografias podem ajudar a paciente a conhecer o trabalho do médico e compreender diferentes possibilidades de resultado. No entanto, elas não devem ser usadas para escolher um formato de mama que será simplesmente reproduzido em outro corpo.
Cada resultado é influenciado pelo volume inicial, formato do tórax, qualidade da pele, presença de assimetrias, espessura dos tecidos, cicatrização e técnica indicada.
Na PinkMed, a paciente pode consultar resultados de mastopexia com prótese, verificar qual profissional publicou cada caso e acessar suas credenciais. As imagens possuem caráter educativo e os resultados variam.
Como escolher entre prótese, mastopexia com prótese ou mastopexia sem silicone?
A escolha começa pela identificação do que realmente incomoda a paciente. Falta de volume, flacidez, posição das aréolas e assimetrias são questões diferentes, embora possam aparecer simultaneamente.
Também é importante conversar sobre o resultado possível para aquela anatomia, e não apenas apresentar fotografias de referência ou escolher previamente o tamanho do implante.
Em alguns casos, a prótese pode ser suficiente para atender ao objetivo discutido. Em outros, será necessário remover o excesso de pele. Há ainda pacientes que podem realizar o levantamento das mamas sem utilizar implantes.
Somente a avaliação presencial permite analisar essas possibilidades, verificar as condições clínicas e explicar os riscos de cada técnica.
Para conhecer a formação, os procedimentos e os casos publicados pelo cirurgião, acesse o perfil do Dr. Manoel Bizerra na PinkMed.
Dr. Manoel Bizerra
Médico | Cirurgião plástico
CRM/SP 98377 | RQE 81819
São Paulo, SP
Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta ou avaliação médica individualizada.






